Antes de nós

     Antes de nós nos mesmos arvoredos    

                          Passou o vento, quando havia vento,

     E as folhas não falavam

     De outro modo do que hoje.

     Passamos e agitamo-nos debalde.

     Não fazemos mais ruído no que existe

     Do que as folhas das árvores

     Ou os passos do vento.

     Tentemos pois com abandono assíduo

     Entregar nosso esforço à Natureza

     E não querer mais vida

     Que a das árvores verdes.

     Inutilmente parecemos grandes.

     Salvo nós nada pelo mundo fora

     Nos saúda a grandeza

     Nem sem querer nos serve.

     Se aqui, à beira-mar, o meu indício

     Na areia o mar com ondas três o apaga,

     Que fará na alta praia

     Em que o mar é o Tempo?

Ricardo Reis

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Uma resposta em “Antes de nós

  1. Inomináveis Saudações, Zana.

    Respondi ao vosso comentário na Cova, confira.

    Uma pergunta: observo, pelo vosso amor à Poesia, que tu és uma poetisa; estou errado ou correto?

    Saudações Inomináveis, Zana.

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