Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.
Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.
Tentemos pois com abandono assíduo
Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.
Inutilmente parecemos grandes.
Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.
Se aqui, à beira-mar, o meu indício
Na areia o mar com ondas três o apaga,
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?
Ricardo Reis
1 resposta Até agora ↓
inominavelser // Abril 30, 2007 às 2:16 am |
Inomináveis Saudações, Zana.
Respondi ao vosso comentário na Cova, confira.
Uma pergunta: observo, pelo vosso amor à Poesia, que tu és uma poetisa; estou errado ou correto?
Saudações Inomináveis, Zana.